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Mostrando postagens de julho, 2021

Nas trilhas da invernada - Estórias que ouvi quando menino pequeno nas invernadas

  Nas trilhas da invernada - Estórias que ouvi  By Hélio Rezende Lá pelos idos dos anos 60, não me recordo exatamente do ano, ouvi muitas estórias e lendas contadas pelo meu avô paterno e meu pai. Nasci no fundão e fui criado para as bandas das invernadas, onde vivi até os 15 anos de idade. O termo, invernadas, surgiu devido ao lugar ser uma região de descanso das reses. Após o ciclo da produção leiteira, eram levadas para invernar, daí surgiu o nome da região. As estórias que ouvi eram passadas de pai para filho, algumas sem nunca terem sido escritas, pelo menos ao que eu me lembre nunca as haviam vistos ou lidas em livros. Em que pese a escassez de livros à época. Pessoas simples que contavam estórias de já terem se encontrado com mula sem cabeça, lobisomem e saci pererê. Estórias de encontros com assombração e outras entidades que povoavam a mente das pessoas que viviam naquele interior, como um caso contado pelo meu pai de que em um determinado ponto de passagem no...

Nas trilhas das invernadas – Meus avós

  Nas trilhas da invernada – Meus avós By Hélio Rezende Ontem, conforme várias manifestações foi o dia dos avós. Aí fiquei pensando e me veio à mente que só conheci um deles, meu avô paterno, que por sinal também foi meu padrinho de batismo. Os demais, minha avó paterna e meus avós maternos não os conheci. Aliás, não tenho certeza, mais acho que meu avô materno me conheceu ainda bebê. Não vai aí nenhum reclamo ou frustração, apenas uma pontinha de inveja, inveja boa, daqueles que tiveram mais tempo de convivência com os avós. É que todos que tiveram essa convivência reporta que foi muito saudável. Algumas avós sempre falam que ser avó é ser mãe pela segunda vez, só que sem a responsabilidade de educar. Minhas sobrinhas que o digam. Mas aí alguém pode perguntar. E seu avô paterno? Você não conviveu com ele? Sim. E foi muito bom. Porem, de se destacar que meu avô paterno constituiu outra família e teve outros filhos, alguns até com idade próxima à minha. Então era natural q...

Nas trilhas das invernadas - As agruras do menino Hélio

  As agruras do menino Hélio Quem nunca aprontou quando menino que atire a primeira pedra. Essa semana estive em Torreões e conversando com a secretária da igreja descobri que ela é neta do Sr. Vicente Cassiano (o Sr. Cassianinho) que morou na Boa Vista, nas terras do Tio Trindade, próximo de onde hoje são as propriedades do Luiz e da Lilian Trindade, ao pé da serra do Sr. Zé Maximiano, ambos meus primos, filhos do tio Tunico Trindade e da tia Aparecida Rezende. Em determinado período havia um campo na várzea próxima a propriedade, que parecia mais um pasto limpo, que nos servia para uma peladinha nos fins de tarde de domingo. A bola, ah! A bola. Uma pelota de couro costurada com barbante fino e encerado com cera de abelha. Cada chute era um vergão que a bola deixava no pé. Ainda bem que a gente andava descalço e o couro dos pés era quase tão curtido quanto o da bola. Kkkkk. Reunida a meninada, os do Gavião, os da Boa Vista e a turma das proximidades lá do Tio Tunico, inclu...

Nas trilhas das invernadas - São Francisco d Paula

  São Francisco de Paula By Hélio Rezende   Eu nasci ali no fundão. Fui criado na invernada. Mas desde muito cedo queria pegar a estrada. De fato. Este era meu desejo. Que depois de algum tempo e muito estudo se concretizou, claro depois de muita luta. O fato é que acabei me transformando em um cidadão viajado, posto que conheci praticamente todos os estados brasileiros. Digo isso porque só não estive pessoalmente em dois estados e em alguns poucos, só de passagem. Essa é só uma pequena introdução, nada mais. Essa semana estive em Torreões, para tratar de assuntos particulares. Cada vez mais percebo como mudou. Até mesmo sua gente, as pessoas que hoje vivem lá. Nada contra, apenas observação. Parafraseando Pe. Antônio Vieira: “ Se o Sol, que sempre é o mesmo, todos os dias tem um novo nascimento e um novo ocaso, quanto mais o homem por sua natural inconstância tão mutável, que nenhum é hoje o que foi ontem, nem há de ser amanhã o que é hoje! ” Assim como as pessoas sã...

Nas trilhas da invernada - À sombra dos laranjais

  By Hélio Rezende Bom mesmo era ser menino. Preocupação zero. Vida livre. Montar a cavalo a pelo. Jogar bola. Brincar de pique de correr e de esconder. Bicho do mato. Sem regras definidas. Única regra clara. Você é filho do Jair e da Maria! Era o bastante para não aprontar né! Kkkk. E claro estar em casa ao anoitecer. Futuro aberto, porém, sem horizontes. Assim eu me definia. Muitos sonhos, mas, sem perspectivas de realizá-los, pelo menos a curto prazo. Foi assim minha infância de pé no chão, até aproximadamente os 14 anos. Período bom. Única preocupação, comer, beber, dormir, brincar e chupar laranjas, além de outras. Kkkkk. Tá rindo né? Era mais ou menos assim. Durante a semana estudando e ajudando o meu pai nas lidas da roça. Fim de semana pensando no que fazer. Passear por ali mesmo nas redondezas da invernada. Tomar banho nos ribeirões, e pescar. Como tinha lambaris! Hoje nem sei se tem mais. Às vezes ir à missa em Torreões. Aí era um dia especial.   Aliás ...