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Nas trilhas da invernada – Frutas silvestres

  By Hélio Rezende Só para roceiros raiz. Hoje, pela manhã, fiquei no sofá vendo TV. Na verdade, um dos poucos programas da TV Globo que me chama a atenção – o Globo Rural. Por ser de origem rural, ainda conservo muito do modo de viver do campo. Ou seja, ainda tenho o pé na roça e costumo dizer, que eu saí da roça, mas roça não saiu de mim, principalmente a região das bandas da invernada. Uma parte do programa que foi ao ar hoje pela manhã, trouxe à memória uma frutinha que poucos conhecem, mas que eu consumia muito na minha infância, pelas trilhas da invernada – o joá. Um arbusto espinhento, com espinhos do caule às folhas e até no suporte da fruta. Quando madura na cor avermelhada, uma delícia. O programa mostrou o pessoal colhendo o fruto na região da serra da Mantiqueira em Minas Gerais e fazendo geleia de joá. Quando menino, pelas bandas da inverna consumi muito essa frutinha “in natura”, mas a geleia, aparentemente estava uma delícia. Ah sim. É preciso ter cuidado...

Nas trilhas da invernada - A escolinha

  By Hélio Rezende Bem cedo tomei gosto pelos estudos, graças a Deus. Não me lembro bem, mas com cerca de quatro ou cinco anos me encantei com os livros e cadernos. Isto porque lá em casa no sítio São Manoel das Invernadas, minha tia Silvana e primeira professora, começou a ensinar os meninos e meninas das redondezas. Não era uma sala de aula convencional. As aulas aconteciam com os alunos sentados em torno de uma mesa grande improvisada, com dois bancos, um de cada lado. Tudo de madeira rusticas. Não tinha quadro negro e as lições eram ditadas ou transcritas nos próprios cadernos dos alunos. Assim foram meus primeiros passos com as letras. Ainda não tinha idade para estar ali, mas minha tia aceitou que eu sentasse junto com os alunos dela e acompanhasse as aulas. Aliás, acho que ela não teve outra escolha se não me aceitar. Kkkkkk. Sentei na mesa junto com os demais e pronto. Aí ela começou a me ensinar também. Tenho muito orgulho de ter sido seu aluno e de ter aprendido as ...

Da série - Rio São Francisco

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PONTAL DO ABAETÉ – MG By Hélio Rezende Tardes no Pontal do Abaeté Para quem me conhece, sabe que não é novidade que gosto de passear e, se tiver como dar banho na minhoca aí o passeio vira festa. No Pontal do Abaeté é assim. Localização do Pontal do Abaeté O peixe, para mim, é apenas um detalhe. Mais importante é o divertimento, a farra, o prazer de estar em um lugar bonito, de relaxar, curtir a paisagem, o ar puro. Tirar belas fotos. Ver e ouvir o canto de belos pássaros. O barulho das águas pelas cachoeiras e corredeiras. As corredeiras na região do Pontal do Abaeté Agora em junho estive no Pontal do Abaeté. Lugar ímpar, natureza pura. Encontro do Rio Abaeté com o São Francisco. Maravilha de água  Lugar de sossego. Foram quatro dias sem televisão e celular. O Rio São Francisco na região é alguma coisa sensacional e preservado, daí o encanto e o carinho que tenho pelo lugar. Lá ainda é possível avistar, tucanos, araras, maritacas, papagaios, veados, lobo guará e muitos outros anim...

Nas trilhas da invernada – Minha primeira infância

 By Hélio Rezende Um dia desses recebi um WhatsApp de uma prima, acompanhado da cópia de uma foto, tirada pela câmara do celular, de quando era criança. Uma foto já conhecida e também um dos exemplares da única foto que tenho da minha primeira infância. Na verdade, o que me chamou a atenção foi o estado de conservação da foto e a informação de minha prima de que estava escrito no verso, que à época eu tinha 1 ano e 8 meses. Tenho mais dois exemplares, porem em estado de conservação pior e sem a informação da idade. Pela informação de minha prima pode se deduzir que foi tirada em março de 1957. Tal foto pertencia à família dela, cujo pai dela, o tio Ataíde, era irmão do meu pai. Imediatamente pedi para, que se não fosse guardar, se poderia me devolver. Ela prontamente se dispôs a devolvê-la e disse que o fará tão logo seja possa vir em minha casa. Não tenho na memória de infância, onde e quando a foto foi tirada. Mas, me remeteu aos primeiros anos da minha vida. Pena que não...

Nas trilhas da invernada - Estórias da infância

By Hélio Rezende Fico vendo o meu amigo Danilo contando as estórias da infância dele e me lembrei de uma. Comecei a pensar o que aconteceu de fato. Lembro me que na década de 1960 eu morava em nossa casa simples, no sítio de meu pai na invernada – chamado de Sítio São Manuel das Invernadas. Cerca de três alqueires de terras encravadas entre matas e brejões de madeira, em cujos ribeirões pesquei muitos lambaris. Hoje, nem sei se ainda existem lambaris por lá. Porquê invernada? Conta-se que a região era lugar onde se colocavam as vacas que recém terminaram o ciclo de lactação, para descansarem, até que estivessem aptas a dar nova cria e voltarem a produzirem leite novamente. De fato, a palavra de “invernar”, é para designar local de gado de engorda ou de descanso, no caso das vacas que pararam de produzir leite e aguardam um novo ciclo. Podia ter uns 13 anos quando fui matriculado nas Escolas Combinadas de Torreões, hoje Don Justino José de Santana. À época, meu pai falava em cer...

Cá estamos nós

By Hélio Rezende  Maio de 2021. Passados um ano. Novos pesadelos? Sim. Sempre devemos estar atentos. Muita gente já vacinadas e imunizadas, principalmente os mais velhos – idosos. Mas a coisa agora deu de atacar jovens. Os cuidados continuam. Agora, com a esperança da vacina, felizmente. Mas ainda com muito cuidado. Bem da verdade a luz do fim do túnel ainda é muito tênue. Porque parece distante o tal fim do túnel. Ainda, só esperança. Esperança de que tudo se normalize em breve. Será? Muitos projetos e sonhos se foram, outros foram adiados. Alguns, entretanto, para sempre. Mas a vida precisa continuar. Porém nada será como antes. Nem falo da saudade dos que se foram, o que nunca se apagará da nossa memória, mas da rotina do dia a dia, que seguirá alterada, ainda por um bom tempo, ou quiçá, para sempre. Creio! Jamais teremos as rotinas de antes. Sempre pesará a falta de alguém, ou o sentimento de que se está à espreita dessa coisa chamada vírus. As festas, as reuniões...

Pois é

By Hélio Rezende Passados mais de um ano de apreensão, enfim, eis que tudo parece normalizar. Só parece. Mesmo com as doses da vacina, não podemos nos descuidar. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Ainda faltam algumas etapas a serem transpostas. Mas este período de experiências dolorosas nos forneceu muitos ensinamentos, que, queiramos ou não ficará para o resto de nossas vidas. Um deles, e talvez o mais importante, é que diante de dificuldades como as que se apresentaram em razão da pandemia que grassou mundo a fora, resta claro que somos todos iguais. A doença atingiu, direta ou indiretamente, todos os países, todas as pessoas de todas as raças e credos indistintamente. Não me venha dizer que em alguns lugares foi mais ou menos brando que outros. Isso não consola ninguém, nem ameniza a dor e o desespero que se instalou a partir do início de 2020, com a terrível cena de corpos empilhados no norte da Itália, conforme mostrado nos noticiários. Nem me venha dizer que este ou...